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Você “acredita” em Clarividência?

junho 14

Dr. Osmard Andrade Faria

 

Antes de começarmos a conversar sobre clarividência, é bom esclarecer a razão daquelas aspas em torno da palavra do título. É comum ouvirmos perguntarem às pessoas, se acreditam em Deus, na sobrevivência do espírito, na teoria do big-bang que teria dado início ao Universo, na vida inteligente em outros planetas, coisas assim. Nesses casos, a palavra “acredita” se impõe. Vamos reler um maravilhoso pensamento de Buda: “Não creiais em coisa alguma pelo fato de vos mostrarem o testemunho escrito de algum sábio antigo; não creiais em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes. Aquilo, porém, que se enquadrar na vossa razão e depois de minucioso estudo foi confirmado pela vossa experiência, a isso aceitai como verdade, por isso pautai vossa conduta.”

 

A crença contém em si mesma, um pressuposto de inexistência. Acredita-se numa coisa quando não se pode provar sua autenticidade. O escritor Morris West dizia que a fé é um salto no escuro para os braços de Deus. Se Ele estiver lá, tudo bem… Abstraída a crença, o processo de busca da verdade, começa pela dúvida. A dúvida é a grande mãe de todas as verdades. Conforme ensinava Descartes, aquele que procura a verdade, deve, tanto quanto possível, duvidar de tudo. Dizia Bosh que o mais importante papel do cientista é ensinar o homem a compreender. Pois tudo que é compreendido, está certo, aprendemos com Oscar Wilde.

 

Assim como o caminho que leva da crença ao conhecimento, passa pela dúvida, também o caminho que vai daquilo que a gente sabe que é, até aquilo que a gente prova que é, passa pelo laboratório.

 

Feito esse intróito, posso voltar à pergunta do título: você acredita na clarividência?

 

A clarividência é um dos inúmeros fenômenos da área da chamada função psi ou paranormal, também conhecida como “extra sensory perception” (ESP). Os chamados “paranormais” são pessoas sensitivas que desenvolvem certas habilidades incomuns à maioria das outras. E como tais habilidades são essencialmente aleatórias, ou seja, não acontecem quando se quer, mas ocorrem ao sabor do acaso e das oportunidades, a tendência comum é dizer-se que tais fatos são frutos da nossa imaginação.

 

Os cientistas ortodoxos tendem a duvidar dos efeitos paranormais, exatamente por sua ocasionalidade insistindo que os fenômenos que não podem ser repetidos à vontade do operador, quando e onde se deseje que isso aconteça, não podem ser considerados fatos científicos. Falta exatamente aquele elo mais acima citado, do laboratório.

 

Coube a um médico norte-americano, Joseph Banks Rhine, da Duke University, ao lado de sua esposa Louise e de um grupo de investigadores associados, mostrar que a função psi resiste, sim, as comprovações práticas laboratoriais. Os vários fenômenos biológicos da área da clarividência como a telepatia (que, ao contrário do que se pensa, não é transmissão de pensamentos mas de sensações, sentimentos, emoções, angústias), e os vários tipos de clarividência (criptoscópica, telestésica, histórica e pré cognitiva), passaram pelo crivo da experimentação laboratorial e da estatística. Tanto nos Estados Unidos, como no resto do mundo, com destaque para a antiga União Soviética, paranormais notáveis como Yuri Kamenski, Karl Nikolaiev, Wolf Messing, Tofik Dadashev, Stefan Ossowiek, Rosa Kuleshova, Pascal Forthuny, Gerard Croiset, Vanga Dimitrova, Pavel Stepanek, Nina Kulagina, Alla Vinogradova, Ted Serios e muitos outros, deram testemunhos incontroversos, não apenas da existência das funções paranormais como ainda de que tais ocorrências são fenômenos puramente biológicos, normais, fisiológicos, nada tendo de místicos ou sobrenaturais e dependendo exclusivamente das propriedades comuns aos seres vivos.

 

Nos laboratórios da Duke University, Rhine e sua equipe utilizaram prioritariamente as chamadas cartas Zener para realizar quase três milhões de experiências de emparelhamento de cartas e previsão de resultados, cada uma delas com descarte de séries de 25 cartas, num total, portanto, de emparelhamento de 74.158.700 cartas. O curto espaço que posso ocupar não permite um maior detalhamento. Sob o ponto de vista da estatística – e eles foram assessorados por notáveis especialistas, para que os resultados obtidos pudessem ter acontecido por acaso, sem a mínima participação de um agente, deveriam ser representados por uma fração tendo 1 no numerador e no denominador, 1, seguido de tantos zeros quantos os necessários para fazer uma coluna daqui até o planeta mais distante.

 

Em 50 anos de exercício da Medicina e outros tantos de pesquisa na área da paranormalidade, tendo sido testemunha (e participante) de uma série de episódios, daqueles que “nem vendo, a gente acredita”. Vou aproveitar o pouco espaço que me resta para contar-lhes apenas um desses casos, talvez, de todos, o que me deixou mais profunda impressão.

 

A clarividência telestésica é assim chamada porque através dela, transmitem-se sensações e, sobretudo, sintomas de doenças. Fui procurado um dia por um colega médico que vinha acompanhado de sua noiva. A conversa girou em torno da fenomenologia paranormal e ele manifestou interesse em assistir a um desses episódios. Por coincidência estava no hospital um enfermeiro, extraordinário paciente sensitivo que se ofereceu para a experiência. Submetido a transe hipnótico, pedi ao colega médico que me desse nome e endereço de uma sua paciente qualquer cujo diagnóstico só ele (e só ele, não eu) conhecesse. Transmiti então ao enfermeiro a sugestão de que ele agora era “a senhora Eugênia, moradora à rua tal, que estava doente e que, ao passar-lhe eu a mão em seu corpo, manifestaria sinais e sintomas da doença que a acometia.” E fui tocando o seu corpo de alto a baixo, até que ao tocar-lhe a região da fossa ilíaca (onde na mulher ficam os ovários e anexos), retraiu ele o abdômen e acusou dor forte no local. Meneando a cabeça, o colega confirmou o diagnóstico. Sofria a sua paciente de anexite esquerda, inflamação de ovários e anexos daquele lado e que era desse mal que ele a estava tratando. Confirmados os sinais dolorosos, retrocedi e acordei o paciente do transe hipnótico.

 

Aconteceu então o inesperado. Saindo do transe, o enfermeiro manifestou intranqüilidade pois havia muito desconforto doloroso em sua boca. Que lhe havia eu feito para tal resultado? Nada, evidentemente. Apesar de tranqüilizado, o rapaz continuou manifestando mal estar até que disse estarem as partes internas de sua mucosa bucal ardendo e doendo como se estivessem cheias de “aftas”, nome popular para os “sapinhos” ou monilíase bucal.

 

Nesse momento, espantadíssima, a noiva do colega – era ela a tal Eugênia, a que sofria de anexite e eu ignorava isso – abriu a boca, distendeu o lábio inferior e nos mostrou a enorme mancha branca que marcava sua mucosa bucal. Em frente, o enfermeiro, não menos assombrado, mostrou também sua boca. Lá estava a mancha branca característica da monilíase.

 

Nesse caso, não apenas o sintoma da patologia se transmitiu de uma pessoa para outra, mas a própria doença se repetia.

 

O inusitado episódio me obrigou a reinduzir no paciente o transe hipnótico para alivia-lo do desconforto. Ao despertar, tudo estava normalizado.

 

Quem já assistiu tais episódios ou acompanhou as experiências e as estatísticas dos trabalhos de Joseph Banks Rhine, não tem o direito de “desacreditar” da autenticidade da fenomenologia paranormal. Conforme seja o interesse manifestado pelos leitores deste informativo, voltaremos ao assunto.

O Dr. OSMARD ANDRADE FARIA é médico broncoesofagologista da Marinha do Brasil, notável hipnólogo, capitão-de-fragata MD (R. Rm) do Corpo de Saúde da Armada reformado, eminente parapsicólogo, poeta, radialista e jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1923, diplomado em 1945. Foi durante vinte anos, radialista e jornalista, tendo sido colunista diário de três jornais cariocas e escrito, para rádio, várias novelas e mais de 1.200 programas de reportagens, teleteatros e variados. Ex-chefe dos serviços de Otorrinolaringologia dos hospitais do Arsenal de Marinha (RJ), Universidade Rural (RJ), Assistência Médico-Social da Armada (RJ) e Hospital Naval de Florianópolis (SC); ex-diretor técnico da Fundação Hospitalar do Estado de Santa Catarina; ex-professor convidado de Psicologia e Parapsicologia dos cursos de Filosofia Pura da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina; especialista em Medicina Ocupacional e em Organização e Administração Hospitalares; Médico Perito Especializado do I.N.P.S.; Broncoesofagologista do Hospital Infantil de Florianópolis. Manteve durante 6 anos, nas antigas Rádios Club do Brasil e Mauá, um programa lítero-musical, feito exclusivamente à base de poemas e execuções instrumentais, sem qualquer publicidade. Esse programa lançou poetas como Geir Campos e artistas teatrais como Maria Della Costa. Foi professor da Universidade Federal de Santa Catarina, escreveu inúmeros livros de Medicina e literatura, entre os quais, “Manual de Hipnose Médica e Odontológica” com várias edições no Brasil e no exterior, “Hipnose e Letargia”, “Panorama Atual das Funções Psi – Parapsicologia”, “Assim Escrevem os Catarinenses – (antologia), “A Batalha de Araranguá”, “O Que é Parapsicologia”, “O Que é Hipnotismo”, “Este Humor Catarina” – (antologia), e “Eutanásia” – A Morte Com Dignidade”. Tem, aguardando publicação, um livro de contos, “O Alegre e Irreverente Contador de Historietas Mágicas” e um livro de poesias, “RESTOS DE NÓS”.

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Posted by on 14 de junho de 2011 in Sem categoria

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